sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O jornalismo bandido do JN



Quem assistiu ao Jornal Nacional ontem deve ter ficado com a impressão de que a pior coisa que pode acontecer a um trabalhador é que o salário mínimo aumente. O JN e seus “especialistas” demonstraram que, com o reajuste do salário mínimo, pessoas que hoje estão na faixa de isenção do recolhimento de imposto de renda alcançarão o patamar de contribuição. 

É intrigante a insistência da imprensa golpista brasileira em abordar os assuntos sempre pelo ângulo “negativo”. Mas mais intrigante ainda é que a reportagem, embora tratasse de impostos, não cuidou de informar ao público duas coisas muito importantes: 1) no Brasil, assalariados pagam mais impostos do que aqueles que não precisam viver de renda; e 2) não existe, no nosso país, um imposto que incida sobre grandes fortunas.

Se a intenção da reportagem era causar aquela sensação de que “o governo ‘dá’ com uma mão e tira com a outra”, acho que seria oportuno questionar alguns outros detalhes. Por exemplo: se os ricos pagassem mais impostos (e se sonegassem menos), seria possível reduzir a cobrança sobre os trabalhadores assalariados. Eu concordo que a faixa de isenção do imposto de renda deveria ser bem mais ampla sim. Não sei qual seria o piso (5 mil? Não sei. Se ficasse em torno disso, boa parte da população brasileira estaria isenta. Inclusive muitos desses que se dizem - ou se crêem - “classe média”. A compensação viria com o aumento das alíquotas sobre as outras faixas. Acho muito baixos os atuais 27,5% como alíquota máxima). Mas o jornal não quis sequer tangenciar essa discussão. Se preocupou apenas em convencer o povão de que o governo, até quando reajusta o salário mínimo, é ruim... Falar em taxar grandes fortunas, grandes heranças? Nem f...

Rafael Pato, no Facebook

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