quinta-feira, 9 de julho de 2009

Luta local e luta partidária: uma opção estratégica para o PT


09/07/2009


O projeto estratégico do PT, concebido pela mão dos trabalhadores e parte da intelectualidade do país, esteve desde sempre vinculado à vitória nas eleições Presidenciais. No decorrer da história do partido, a experiência adquirida quando estivemos a frente de governos estaduais e prefeituras, colaborou muito para que nosso projeto nacional fosse aperfeiçoado e alcançasse o êxito que hoje presenciamos.

Contudo, a primeira experiência política do partido, deu-se no âmbito do parlamento. Já nas primeiras eleições disputadas pelo partido, elegemos nossos primeiros vereadores e vereadoras, e desde então nosso crescimento deu-se numa progressão geométrica. Da tribuna das câmaras de Vereadores, nossas lideranças puderam dar visibilidade a defesa dos direitos humanos, algo ainda estranho à sociedade brasileira na década de 80, ampliação da participação cidadã e popular, organizar as demandas políticas e sociais das classes populares, além é claro, de abrir um canal de diálogo com as lutas sindicais.

Nunca é demais lembrar que o então sindicalista Luís Inácio, ao justificar a organização de um partido de trabalhadores, dizia que no parlamento nacional, a Câmara, não tinha interlocutores ou legítimos representantes da classe trabalhadora. Precisavam então, os trabalhadores, eles mesmos, pelas suas mãos, fundar um partido e eleger seus representantes.

Podemos então dizer que o crescimento do partido deve e muito aos vereadores. São eles que respondem sobre as demandas do cotidiano, das comunidades, dos problemas de infra-estrtura, saneamento e educação básica, via de regra serviços da alçada do município.

No contexto atual, de desenvolvimento da nossa primeira experiência na Presidência da República, parte da responsabilidade da defesa do nosso projeto sustenta-se na atuação dos vereadores. Mas mais do que isso, a reeleição deste projeto, que ao que tudo indica terá como cabeça de chapa a ministra Dilma Rousseff, depende e muito deste trabalho. Na coordenação das duas últimas campanhas presidenciais, estive responsável pela relação com os municípios de médio e pequeno porte, que congregam mais de 50% da população do país. Nessas oportunidades, foi indispensável essa relação construída entre as lideranças locais do PT e dos demais partidos.

Foi nesta ponta que o Presidente Lula angariou apoio de prefeitos de quase todos os partidos políticos.

Para 2010, quando apresentarmos a candidatura da Ministra Dilma, deveremos retomar essa prática. Na verdade, devemos ampliá-la. Nesse aspecto, cumpre ressaltar o seguinte: nossas lutas locais, as disputas políticas locais, travadas no parlamento, nos movimentos sociais, precisam estar associadas a lógica da disputa entre diferentes projetos para o país. Em se tratando da primeira campanha em que não teremos Lula como candidato, a unidade do partido em trono desta questão será fundamental para nosso sucesso.

Considerando os índices de aprovação do governo, a popularidade do Presidente Lula, e aquilo que representa nossa possível candidata para essa nova fase do governo, mais investimentos públicos, maior distribuição de renda e compromisso com as demandas históricas da nossa base social, é possível que desabroche as condições necessárias para um amplo movimento de apoio voluntário destas lideranças (de outros partidos) rumo a campanha da Dilma. Devemos estimular isso ao máximo, transformando nossa atuação local num catalisador para campanha Dilma Presidente.

Quanto às tarefas nacionais, a direção do partido está apropriando-se das realidades estaduais. Em alguns estados, o partido não terá candidato a governador/a ou ao senado, pois a idéia que prevalece na direção nacional do PT é priorizar a construção de composições políticas que alarguem o leque de apoio para nossa candidatura já no primeiro turno. Entretanto, isso não pode tirar do PT o protagonismo na condução da campanha, nem fazer com que não tenhamos candidaturas majoritárias amparadas em flagrante apoio popular.

Com ênfase no convencimento político de que o atual projeto em andamento no país é uma conquista para todo povo brasileiro, e que para o bom andamento e superação dos problemas crônicos de nossa sociedade devemos aperfeiçoa-lo ainda mais, é dever de nossos quadros submeter as disputas e diferenças locais a um bem maior,o da continuidade das mudanças.

O governo liderado pelo Presidente Lula mudou o Brasil para melhor. O significado que estas mudanças assumem está muito além do que a nossa percepção atual pode supor.

Certo de que nossos esforços mais valiosos estarão dirigidos para a campanha de reeleição do nosso projeto, a direção nacional do partido quer dividir as tarefas organizativas desta empreitada com todo o partido, com os partidos aliados e as tradicionais organizações sociais com as quais nos relacionamos.

Sendo assim, o papel de nossos líderes, nos legislativos, inicia, por enquanto, na sustentação deste governo e desdobra-se numa atuação parceira com os parlamentares de outros partidos. Com quem aliás, devemos ter um diálogo permanente. Devemos registrar permanentemente que não é toa que a população brasileira confere a Lula os atuais índices de popularidade. A recente ampliação da preferência da população pelo PT, que em recente pesquisa atribui ao partido 29% da preferência do eleitorado, também é sintoma desta avaliação.

Quanto ao calendário partidário, enquanto nos aproximamos da véspera do maior desafio já enfrentado pelos trabalhadores brasileiros, o PT irá renovar sua direção política em todos os níveis. Neste processo, o objetivo do PT não pode ser outro, além de corresponder às expectativas e desejos do povo e conduzir o projeto vitorioso do nosso governo para mais um mandato.

Por fim, e para o cumprimento das tarefas acima assumidas, por nós, a direção nacional do PT e vocês, vereadores e vereadoras, deputados/as e quadros dirigentes do partido, precisamos de direções politicamente fortalecidas, com ênfase no funcionamento das instâncias e envolvimento real da base social que representamos, nestas discussões. É com um partido forte que daremos demonstrações tácitas de que reunimos condições suficientes para oferecer o nome de Dilma, uma mulher de esquerda e do PT, para unificar os partidos da base aliada e suceder Lula na Presidência da República.


Romenio Pereira é Secretário de Assuntos Institucionais do PT.

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